Do Giz de Cera aos Respingos de Arte

Sob as árvores da Toscana - mixed media sobre...

Sob as árvores da Toscana - mixed media sobre painel 0,25 x 0,35[/caption]

Até agora, escrevi sobre a história da arte, e a importância de aprendê-la, além da dificuldade das mulheres de antigamente para serem artistas plásticas, mas, talvez, esses assuntos, para alguns, devem parecer meio “boring”.

Eu sou arteira desde pequena e descobri que gostava do negócio desde que rabisquei as paredes do corredor de casa - ainda nem sabia andar direito -, desde que pintei o box marrom- sem-graça do banheiro com giz de cera e quando modifiquei a linda cor branca da recém-pintada geladeira de uma tia, com canetinha azul. Daí, a continuar pelas artes, foi um pulo.

Fiz diversos cursos de pintura, começando pelo acadêmico, com todas as noções de anatomia, justamente com toda aquela medição como, por exemplo, que o corpo é dividido em sete partes (cabeças), embora acredite que certas modelos por aí têm umas 21! . De fato, acho a anatomia humana muito variável!

Passei uma fase somente pintando mulheres de todos os tipos e formas, então resolvi parar, pois fui à exaustão. Depois, não sabia onde colocar toda aquela mulherada. Acabaram ficando todas confinadas no lavabo.

Acabei me identificando com o abstrato, o que me atrai mais no momento. Gosto muito de trabalhar também com “mixed media”, o que me ajuda a aliar vários estilos e materiais em um único quadro, porém, de forma minimalista.

Minha inspiração vem de forma às vezes muito louca do tipo: um fiozinho de cabelo no azulejo tomou uma forma tão linda, tão sinuosa, que consegui ver uma figura humana. Uma sombra, a dobra do tapete, ou até a interpretação diferente de uma foto já me deram ideias. Sim, eu "vejo coisas". Não pinto os sentimentos, acho que pinto as sensações!

Meu atelier é minha sala. De lá saem coisas legais, outras vezes medonhas, pinto, mudo, faço outra coisa, camada sobre camada, as ideias vêm e vão, e os respingos das tintas vão ficando nas paredes, estante, chão, tudo o que estiver perto de mim. Fica tudo com poá.

E no meio de telas, tintas e apetrechos que até fazem parte da decoração, tem-se a vantagem de trabalhar em casa. Apesar de minhas outras atividades profissionais durante a semana, a motivação, o ânimo, continuam. Estar ali, com tudo pronto me esperando, faz com que a disciplina conviva pacificamente entre a obrigação e a devoção.

Não existe para mim a separação dos dias da semana, das horas. Quando pinto não as vejo passar.  Fico cansada e feliz. A arte é a extensão da minha vida.

 



Alessandra Bosi

É Artista Plástica, convidada pelo Conte com as 3, para nos fazer mergulhar no mundo da arte, compreendendo períodos e artistas, com leveza e sensibilidade