Os Grandes Protagonistas de Acidentes em Obras de Arte

A humanidade já perdeu várias obras raras destruídas por guerras, pela falta de preservação e ação do tempo. Mas, muitas também, foram...

A humanidade já perdeu várias obras raras destruídas por guerras, pela falta de preservação e ação do tempo. Mas, muitas também, foram destruídas por acidentes; umas sem querer e outras sem querer querendo. Aqui, vou citar alguns tragicômicos, como, recentemente, o caso do tal menino distraído no museu de Taiwan, que tropeçou, perdeu o equilíbrio e fez um rombo numa tela avaliada em US$ 1,54 milhão. Sorte da família dele que não teve que arcar com o prejuízo, pois ponderaram que foi totalmente acidental. Ufa...
A pintura The Actor, de Pablo Picasso (1904) estava exposta no MOMA, em Nova York, quando em 2010 uma estudante de artes se desequilibrou e caiu sobre a obra, provocando um rasgo de 15 centímetros no canto inferior direito. Imagine só, isso aconteceu porque a mocinha estava tentando se aproximar de um rapaz em quem estava interessada...prejuízo (amoroso) numa obra avaliada em 100 milhões de dólares!

 

 

 

 

 

Durante 40 anos, três vasos da dinastia chinesa Qing de mais de 300 anos, permaneceram no parapeito de uma janela, na base de uma escadaria do museu de Cambridge, Inglaterra. Sem nenhuma proteção, grade ou vidro. Um visitante tropeçou em um cadarço desamarrado e rolou escada abaixo, e acertou as peças estilhaçando-as. Ainda, como se nada tivesse acontecido, ele saiu do museu e só reapareceu dias depois, quando foi preso pela polícia que investigava se ele havia feito de propósito ou não. Ele garantiu que foi sem querer e foi liberado, mas sua punição foi ser proibido de visitar o museu. Os vasos restaurados valiam antes 100 mil libras, mas esse cadarcinho provocou uma perda de 75% de seus valores.

 

 
Outra pintura de Picasso, “O sonho”, foi danificada por uma imprudência. Dessa vez, o causador foi o empresário Steve Wynn, dono da obra. Pouco antes de tentar vendê-la, em 2006, Wynn levou alguns amigos pra ver o trabalho e devido a seus movimentos estabanados e a um problema de visão, bateu o cotovelo dentro da tela abrindo um buraco do tamanho de uma moeda no antebraço esquerdo da imagem. O reparo custou 90 mil dólares e a avaliação da obra que era de 139 caiu para 54 milhões. O dono sentiu que aquilo era um sinal para não se desfazer da tela.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O urso Teddy que pertenceu a Elvis Presley e grande parte de uma coleção exposta na caverna Wookey Hole Caves, na Inglaterra, foi destruída por um funcionário em serviço. O causador de tudo, em 2006, foi Barney, um cão de guarda da raça Dobermann, que deveria tomar conta dos ursos indefesos.

Mais de 100 bichos de pelúcia foram danificados pelo animal, que teve um momento de fúria e muitos sem chance de reconstrução. Relatos da época afirmaram que Barney espalhou pedaços de ursos por toda parte e poucas unidades se salvaram. O prejuízo foi grande, já que a coleção inteira estava estimada em 900 mil dólares e o urso de Elvis que ficou sem cabeça, era avaliado em 75 mil dólares.

 

 

 

 

A questão entre o que é arte e o que é lixo foi levantada depois que uma instalação do artista Damien Hirst foi "higienizada". Uma faxineira da Eyestorm Gallery em Londres, em 2001, pensou que os cinzeiros cheios, copos de café pela metade, garrafas de cerveja vazias e jornais espalhados em uma das dependências da galeria, fossem apenas os restos de uma festa do dia anterior, sem desconfiar que aquilo fosse uma obra. Depois que perceberam o equívoco, os trabalhadores do lugar se reuniram para vasculhar as lixeiras e resgatar a arte, que foi parcialmente recomposta. Apesar de seu trabalho ser equiparado a lixo, Hirst achou a situação muito engraçada.

 

 

 

 

 

Outro caso similar aconteceu com uma instalação de Gustav Metzger, no Museu Tate Britain, em 2004. Um saco plástico, cheio de papel e papelão, fazia parte da instalação do artista e tinha como objetivo demonstrar a "existência finita" da arte, entretanto, uma faxineira jogou fora o saco, achando ser lixo. O objeto foi recuperado pelo museu, mas o artista o substituiu por um outro saco de lixo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E, por fim, também, na Alemanha, em 1973, em uma festa política realizada no Museu Schloss Morsboich, as mulheres organizadoras do evento necessitavam de um recipiente para lavar os copos de cerveja. Viram então uma banheira suja, com bolotas de gordura, manchas de vaselina e umas ataduras. Não vacilaram em limpar a banheira de toda aquela sujeirada, sem de longe imaginar que seriam processadas por destruir a obra do famoso Joseph Beuys, pela qual teriam que pagar na justiça a bagatela de 40 mil dólares aproximadamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Alessandra Bosi

É Artista Plástica, convidada pelo Conte com as 3,para nos fazer mergulhar no mundo da arte, compreendendo períodos e artistas, com leveza e sensibilidade