Educação sexual: por onde começar?

Vivemos em uma sociedade que alcançou importantes conquistas ao longo da...

Vivemos em uma sociedade que alcançou importantes conquistas ao longo da sua história: a liberdade de expressão, a emancipação feminina, a valorização da opinião pública. E não parou por aí! Com o avanço tecnológico e mais especificamente com o advento da internet, a informação sobre incontáveis assuntos ficou praticamente ao alcance de todos numa velocidade fantástica. No entanto, mesmo sob essa realidade de grandes progressos, há questões que atravessaram décadas sendo consideradas verdadeiros tabus e que até então geram certo constrangimento em muitas pessoas. Nos dias de hoje, um tema em especial ainda é motivo de dúvidas, de angústias e até mesmo de fuga principalmente se tiver que tratá-lo com seus filhos. Se você pensou em sexo, acertou.
É necessário que haja uma conscientização de que os pais – ou quem estiver neste papel – são os principais educadores na criação dos filhos igualmente no tocante à sexualidade. Muitas vezes a dificuldade do pai ou da mãe em lidar com este assunto fica ancorada na fragilidade da sua própria relação com o sexo. A vivência positiva ou negativa que interferiu em seu desenvolvimento sexual e as limitações conceituais vêm à tona no momento em que o assunto precisa ser abordado. Para quem não teve uma boa educação sexual na infância e na adolescência, o desafio de falar sobre sexo com os filhos torna- se muito maior.

Para tanto, observa- se algumas posturas interessantes que podem ser incorporadas por pais/ responsáveis para auxiliar no “como” falar de sexo com os filhos. Um ponto muito importante é a dosagem da informação, ou seja, não se deve dissertar sobre sexo com seu filho, mas também é inaceitável desconversar sobre o tema. A conversa deve seguir uma linha que esteja de acordo com a fase de desenvolvimento do menor. Para a criança deve-se responder exatamente ao que ela perguntou evitando o despertar de um interesse sexual precoce, mas se ela continuar com as perguntas, o ideal é que se procure respostas mais completas. Já com os adolescentes é essencial que os pais usem uma linguagem acolhedora e esclarecedora sobre a iniciação sexual e a prática sexual segura. Devem abordar também as mudanças físicas e emocionais que estão ocorrendo, como o aumento de seios nas meninas e as ejaculações espontâneas nos rapazes. O diálogo aberto sobre a sexualidade e os elementos que a compõem facilitam a transição do adolescente para a vida adulta.

A qualidade na educação sexual requer cuidadosa observação do comportamento dos filhos além da verdadeira atenção as suas dúvidas. Na busca por respostas que satisfaçam às indagações das crianças ou dos adolescentes é também recomendado o uso de material didático conforme a faixa etária deles, além de procurar participar com os filhos de oficinas e palestras que tratam sobre sexo.

A sexualidade deve ser inserida nas conversas como um assunto natural para que não seja compreendida como algo ruim, inapropriado ou motivo de vergonha.

E fundamental: a comunicação sem preconceitos ou julgamentos morais, seja com a criança ou com o adolescente, é uma excelente aliada para uma relação de confiança entre pais e filhos.

 



 

 

 

por Margareth dos Reis - Psicóloga e terapeuta sexual