“MÍDIA, SEXO E CRIME”

Em comemoração aos 10 anos do Ambulatório de Transtornos da Sexualidade da Faculdade de Medicina do ABC (ABSex- FMABC) foi promovido o debate “Mídia, Sexo e Crime” com a presença de ilustres convidados: a jornalista Laura Diniz, o psiquiatra Prof. Dr. Danilo Baltieri (Coordenador do ABSex), a nossa ...

Em comemoração aos 10 anos do Ambulatório de Transtornos da Sexualidade da Faculdade de Medicina do ABC (ABSex- FMABC) foi promovido o debate “Mídia, Sexo e Crime” com a presença de ilustres convidados: a jornalista Laura Diniz, o psiquiatra Prof. Dr. Danilo Baltieri (Coordenador do ABSex), a nossa psicóloga Profª. Dra. Margareth dos Reis (Colaboradora do Ambulatório da Unidade de Medicina Sexual da Disciplina de Urologia e Coordenadora do Curso de Pós Graduação Lato Sensu em Sexologia: Novos Paradigmas em Saúde Sexual), o advogado Prof. Dr. Vicente Cascione e mediado por Renata Aranha (Assessora de Comunicação e Marketing Educacional - Faculdade de Medicina do ABC). Os especialistas abordaram crimes sexuais sob óticas jurídica, médica, psicológica e jornalística.



O evento, conduzido no formato de talk show, contou ainda com a participação do público presente no anfiteatro David Uip, no próprio campus universitário.

O tema “pedofilia” ficou em pauta após a veiculação de uma reportagem que mostra integrantes de uma ONG holandesa se fazendo passar por uma criança para entrar em salas de bate-papo na internet e atrair os chamados pedófilos.

Para o Dr. Danilo Baltieri, a mídia deve ter cuidado ao creditar de pedófilo qualquer pessoa, afinal pedofilia é uma doença, uma anomalia da sexualidade (parafilia) e, quem abusa de uma criança é um molestador que, por vezes, pode não ser um pedófilo.


A jornalista Laura Diniz ponderou que a imprensa sempre tem o desafio de resumir o conteúdo de uma matéria em um título pequeno, explicativo e atraente e destacou que essa é a maior fonte das imprecisões. Segundo a profissional, a falta de especialização de muitos colegas e o excessivo volume de trabalho contribuem, na maioria das vezes, para que os erros apareçam nas reportagens. Para a Laura, é um equívoco considerar esse tipo de imprecisão como má-fé da imprensa.


Margareth ressaltou que para a mídia se o fato real descrito se apoia ou não na verdade, ou se a manchete embasa-se na qualidade e numa consistente construção da realidade, isso tem valor secundário ou nem é questionado. Vender notícia mais apelativa se deve à importância do consumo em nossa sociedade atual, elevado à categoria de um ‘deus’. A colaboradora do Ambulatório da Unidade de Medicina Sexual da Disciplina de Urologia da FMABC ainda afirmou que não se deve generalizar os profissionais da imprensa, pois numa época de `hipertudo’ há aqueles que buscam uma manchete sem se preocupar se está de acordo com os fatos oferecidos mas há tantos outros com boas intenções de buscar coerência geral para o que apresenta.

“A mídia vicia a opinião pública com termos inadequados”, enfatizou o Dr. Vicente Cascione. O advogado ainda esclareceu que na lei penal brasileira não existe o crime com expressão ‘pedofilia’. O que temos é o crime que se caracteriza pela exploração da sexualidade e autoria de atos por ela. Tudo se finaliza por “crime de estupro” a qualquer ato libidinoso ou conjunção carnal sem o consentimento da vítima. A criança é vitima de estupro quando for maior de 14 anos e menor de 18 anos, e de estupro de vulnerável quando menor de 14 anos de idade.

Dr Baltieri afirmou que a pedofilia é uma doença devastadora em que a maioria dos especialistas não consegue diagnosticá-la, inclusive os psiquiatras. O médico relatou que dos molestadores que chegam até o ambulatório através de processos criminais, de 20 a 30% são realmente pedófilos (doentes) e que estes precisam de tratamento, pois a prisão não vai resolver e nem curá- los.

“É possível que uma pessoa que sinta atração por crianças não seja um pedófilo, porém quem tiver qualquer sintoma desse tipo de desejo deve procurar um especialista para avaliar a densidade do caso”, finalizou Dr. Danilo.