Doutor, meu pênis é torto! O que devo fazer?

Em contribuição ao Conte com as 3, o Médico e Assistente da disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC, Eduardo Augusto Corrêa Barros, explica-nos, de forma simples e didática, alguns dos motivos, bem como as possíveis soluções, para a curvatura peniana.

No consultório, não é raro o atendimento a pacientes com queixas sobre o tamanho e formato do pênis. Muitos comentam que gostariam que este fosse maior, outros dizem que têm uma sensibilidade muito alta e alguns apresentam algum grau de curvatura.

Quando falamos em curvatura peniana o primeiro questionamento a ser realizado, pelo profissional de saúde, é sobre o incômodo ao paciente. Caso seja algo irrelevante para a vida sexual, talvez a simples orientação seja o melhor tratamento. Porém, caso realmente esteja impactando na qualidade das ereções e na vida sexual do paciente, a investigação do quadro e a busca por opções de tratamento devem ser aventadas. 

A investigação do pênis “torto” deve-se iniciar com o levantamento de possíveis hipóteses diagnósticas para o fato. Estão dentre as principais causas da curvatura peniana:

 

Pênis Torto ou Curvo Congênito

 

Como o próprio nome diz, tal patologia ocorre desde o nascimento do homem. Ela se deve a uma desproporção entre o comprimento uretral (menor) e o comprimento dos corpos cavernosos (maior), que são as estruturas que promovem a ereção. Nesses casos, o homem apresenta uma curvatura ventral, ou seja, voltada para baixo, que deve ter sido notada desde o início de suas ereções (infância/ adolescência). Essa curvatura é ocasionada devido à uretra funcionar como um “cabresto”, que, em face de seu comprimento menor, puxa a cabeça do pênis para baixo. podendo dificultar a penetração.

O tratamento para esse problema é basicamente cirúrgico, baseando-se no encurtamento dos corpos cavernosos por meio de plicaturas (pontos) na região contralateral da curvatura com objetivo de retificar o pênis.

 

Ligamento Suspensor do Pênis Flácido ou Incompetente

 

O ligamento suspensor do pênis é uma das estruturas responsáveis pela sustentação peniana no púbis. Existem homens, que, ou por apresentarem o pênis muito longo ou por uma flacidez desse ligamento, apresentam dificuldade de manter o pênis apontado para cima, apesar de apresentarem uma boa rigidez peniana. Nessa situação, o paciente não tem nenhum problema no mecanismo de ereção, mas na sustentação peniana, o que pode trazer dificuldade de penetração para certos pacientes.

Nesse caso, o tratamento baseia-se, principalmente, na orientação do homem e do casal quanto às posições mais favoráveis para a penetração e os cuidados quanto ao risco de fratura peniana caso o pênis penetre de forma errada na vagina.

 

Doença de Peyronie ou Enduratio Penis

 

Em 1743, La Peyronie descreveu pela primeira vez o surgimento de placas endurecidas no corpo peniano de pacientes com queixas de curvatura peniana. Em geral, essa doença atinge homens entre os 40 e 60 anos e as causas para o seu surgimento ainda não estão bem estabelecidas. A teoria mais aceita para seu surgimento é a de que durante toda a vida sexual do paciente ocorreram “microtraumas” no tecido que envolve o pênis e o processo inflamatório decorrente deles levou a formação de placas fibróticas capazes de deformar e promover uma curvatura no pênis.

A atividade dessa doença pode ser dividida em 2 fases: a aguda e a crônica. Na fase aguda há um processo inflamatório ativo que pode vir associado a dor peniana em estado flácido ou durante as ereções. Ao exame físico palpam-se nódulos/placas pouco rígidas e se nota curvatura peniana. Já na fase crônica ocorre o processo de fibrose e formação de placas endurecidas, até mesmo calcificadas. Normalmente, é nesse período em que ocorre a estabilização da curvatura peniana.

Com o tempo, espera-se a piora da curvatura peniana em cerca de 30 - 50% dos pacientes, estabilização em 47 – 67% e melhora espontânea, em apenas, 3 a 13% dos casos.

A piora da curvatura peniana é mais esperada em pacientes que adquiriram a doença jovens e após a calcificação completa da placa. A dor durante a ereção acomete entre 35 a 45 por cento dos pacientes durante a fase aguda. Ela melhora em cerca de 90% dos pacientes, podendo durar até 12 meses, a partir do início da doença.

O tratamento dessa enfermidade ainda é bastante desafiador, visto que existem inúmeras possibilidades que variam desde o uso de medicações orais até o implante de próteses penianas. Esta grande variedade deriva do fato de que ainda não existe um tratamento ideal e de que este deve ser individualizado para cada paciente. 

É de fundamental importância saber se a doença está em atividade ou não, pois isso influenciará na escolha do melhor tratamento clínico e do tempo ideal para realização de uma abordagem cirúrgica.

Os potenciais riscos e benefícios do procedimento devem ser discutidos com o paciente para que ele tome a melhor decisão. Dentre os principais riscos temos: diminuição do tamanho do pênis, impotência sexual, perda de sensibilidade, risco de nova curvatura, provável palpação de nós no corpo peniano e necessidade de circuncisão (retirada da pele que cobre a cabeça do pênis).

A doença de Peyronie pode atrapalhar bastante a vida sexual do homem e, consequentemente, do casal. Estudos relatam diminuição de qualidade de vida e surgimento de alterações psíquicas como ansiedade, depressão e baixa autoestima. Portanto, assim como todas as disfunções sexuais, ela deve ser abordada de forma multiprofissional, com auxílio de sexólogos e psicoterapeutas na busca de modalidades de tratamentos que tragam ao homem mais confiança e capacidade de lidar com seu problema.

 

Dr. Eduardo Augusto Corrêa Barros
Assistente da Disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC 

 

Para mais informações sobre o trabalho do Dr. Eduardo Augusto Corrêa Barros acesse o site: www.dreduardobarros.com.br e acompanhe as publicações dirigidas à saúde masculina.