Quando o relacionamento ganha ares de rotina: um convite para o crescimento!

O envolvimento inicial de duas pessoas não costuma ocorrer da forma como elas descrevem o clima atual depois de um período convivendo sob o mesmo teto.

 O envolvimento inicial de duas pessoas não costuma ocorrer da forma como elas descrevem o clima atual depois de um período convivendo sob o mesmo teto. E isso tem acontecido em um tempo cada vez menor de vida em comum. Vamos entender por quê? Durante a paixão há encantamento e disposição para investir na relação a dois e isso propicia um movimento proativo muito maior de cada lado para surpreender o outro, o que promove o bem-estar da dupla.

No início do relacionamento as diferenças individuais quanto ao ritmo nas atividades compartilhadas também tendem a ser minimizadas. Não se transformam em incômodo nem obstáculo, por exemplo, mesmo quando envolve a falta de iniciativa de um dos lados para tomada de decisões ou para o sexo. E isso, em grande parte dos casos, reforça a sensação de que um foi feito para o outro e de que nada nem nunca vai mudar essa condição. Assim, a dinâmica do casal vai sendo edificada e repetida, automaticamente, na rotina diária.

Nesse cenário, as dificuldades experimentadas nos enfrentamentos que a vida impõe podem ter desdobramentos dramáticos. O que leva ao aumento gradativo de insatisfação mútua comprometendo cada vez mais o entusiasmo na relação como um todo. A situação pode piorar ainda mais quando a responsabilidade pelo desconforto na convivência não é percebida como um conflito criado pelas duas pessoas que se relacionam, e aí começam as transferências de responsabilidades e projeções de culpas.

É preciso entender o princípio básico para a saúde de um relacionamento: ter intimidade! Intimidade para falar dos problemas comuns, para perguntar se está tudo bem com a outra pessoa, para saber o que cada um sente ou valoriza hoje na relação a dois, o que cada um gostaria de fazer diferente nesta altura da vida, assim como a medida possível para isso e, assim por diante. O respeito e reconhecimento dos motivos de cada um para sentir o que sentem no momento presente auxiliam na definição das questões que passaram a dividir os parceiros em algum momento da jornada a dois.  

A partir dessa experiência ambos podem descobrir opções para caminharem com mais segurança no entendimento dos prós e contras de suas escolhas. Sem essa criteriosa avaliação conjunta dos sentimentos individuais e da participação de cada um nos resultados que experimentam juntos é impossível ativar o potencial criativo para realizar uma mudança que seja significativa e de comum acordo para a satisfação pessoal e na vida a dois. Afinal, como afirmou umas das escritoras mais importantes do século XX nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, Clarice Lispector, “qualquer um pode amar uma rosa, mas é preciso um grande coração para incluir os espinhos.”


Margareth dos Reis