Dependência patológica no amor

O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte. (Friedrich Nietzsche)

Insistir em um sentimento que não corresponde às expectativas pessoais só vale a pena quando se preserva a linha que protege a própria dignidade. Gastar grande parte da energia pessoal tentando se amoldar a propósitos de alcance incerto para obter a atenção do objeto de amor pode representar um “tiro no próprio pé”! Isso costuma estar a serviço das próprias carências que se alimentam de expectativas fantasiosas.

Na dependência patológica pelo amor, a pessoa espera mais do outro para suprir as suas necessidades emocionais do que de si mesma. Por esta linha de raciocínio acaba por aceitar migalhas e ter pouca disposição para incrementar a sua história afetiva com outras oportunidades que poderiam elevar a sua autoestima.

A repetição de frustrações pelas quais a pessoa dependente no amor não recebe o afeto e a atenção que gostaria, ativa o modo “acomodação no sofrimento”. Isso a leva a uma rotina de desprendimento da própria vida e a uma busca desenfreada pela recompensa do que sente pelo outro, nem que seja para conseguir alguns momentos efêmeros ligados a sua obsessão amorosa, interpretados como alguma chance de fisgar o objeto de amor a qualquer preço.

O padrão dependente de comportamento pode ser encontrado em pessoas de qualquer idade, raça, nível socioeconômico e intelectual e, se manifestar mais expressivamente em um campo da vida prejudicando, também, os outros em que a pessoa atua.

O limite entre o saudável e o patológico deve ser um desafio constante para que cada um estabeleça os seus investimentos na direção que deseja seguir sem perder a sua essência. Difícil? O autoconhecimento é o primeiro passo para a libertação, pois difícil mesmo é passar a vida em um cativeiro imaginário.

 

Margareth dos Reis